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ACEITANDO O LEGADO.

É preciso grande coragem e grande HUMILDADE para tomar para si o que recebeu – as moedas boas e as enferrujadas – e parar de projetar nos outros o insucesso das próprias escolhas.

Mãe idosa

 

Li um livro curtinho e muito precioso chamado Onde Estão as Moedas, do autor espanhol Joan Garriga Bacardí (Editora Saberes) onde, através de um conto de um filho que sonha que recebe moedas de seus pais e as aceita, tendo uma vida plena e feliz; e do mesmo conto só que com um filho que não aceita as moedas e renega o legado recebido dos pais, e que segue procurando nas relações receber as moedas que só pode receber dos pais, sentindo-se injustiçado e infeliz. Garriga, naturalmente, está falando do princípio básico das Constelações Familiares de Bert Hellinger, com as quais o autor trabalha, que são as Ordens do Amor.

Me impactou. Além de minhas próprias questões, ao longo do tempo tenho atendido centenas de pessoas que já estão na meia idade, são buscadores ferozes e investem bastante em cura de si mesmos e em autodesenvolvimento/espiritualidade. Mas ainda estão empacados na questão básica: não conseguem aceitar as “partes ruins” do legado, isto é, os traumas, os abandonos e toda lista daqueles que se arvoram de ter uma “Criança Ferida” dentro de si. Tenho dito e repetido que ninguém pode cuidar de nossa Criança Ferida e que a cura só começa quando nós mesmos tomamos esta tarefa e damos colo, aconchego, amor e aceitação para esta criança interna. Mas com este livro, devo dizer, isso não é o bastante. É preciso também parar de ser a criança chorona e ver que os pais deram o que tinham e, se não tinham, como iriam dar?

Bert Hellinger fala muito da projeção onírica que fazemos de que o pai e a mãe têm que ser perfeitos, sem erros. Nós mesmos, quando nos tornamos pais e mães vemos o quanto esta é uma tarefa impossível – a imperfeição é a marca deste mundo e das pessoas que vivem nele. Mas seguimos obstinados em não tomar responsabilidade sobre as escolhas que fizemos ao longo da vida e imputá-las aos “erros dos pais”. Até quando, Querida Pessoa? Quando você vai conseguir amar, aceitar e receber seu pai e mãe como são e como foram, e simplesmente TOMAR PARA SI a tarefa de curar, acolher e potenciar sua Criança Interna?

Olho para trás e vejo hoje – na maturidade dos meus 53 anos – que a maior parte das feridas que experimentei viraram inspiração para fórmulas florais, dinâmicas, temas de workshops, matérias para este blog, oráculos, temas de Círculos e livros, sem falar em muita profundidade para lidar com a dor dos outros e compreendê-la sem julgamentos. O sofrimento nos melhora, mas somente se tratamos de encontrar saídas e aprendizados. Se seguimos obstinados em reviver e relembrar, em procurar culpados para nossas impossibilidades de florescer, então o sofrimento não só foi inútil, como continua vertendo seu sal em cima de nossas feridas, pois estas seguem abertas.

É preciso grande coragem e grande HUMILDADE para tomar para si o que recebeu – as moedas boas e as enferrujadas – e parar de projetar nos outros o insucesso das próprias escolhas. É preciso grande coragem confrontar que – de fato – tudo foi escolha, até mesmo nascer nesta família e não em outra. Eu também costumo dizer que quando nascemos numa família muita diferente da nossa – ouço muito o “me sinto um ET nesta família” – é por que precisamos de CONTRASTE, para não nos perdermos da essência de nossa Alma.

Você está vivo, está aqui, ganhou essa incrível oportunidade de uma experiência corpórea, enquanto centenas de milhares de outras Almas esperam a mesma oportunidade. E está perdendo décadas de sua vida olhando para trás com rancor, reclamando que não ganhou o que merecia. Foram seus pais e especialmente sua mãe que passou por todo o desafio de uma gestação/parto/nutrição que lhe deram essa incrível oportunidade. Então hoje meu convite é colocar a testa no chão e realmente receber a TOTALIDADE do legado. Tudo o que lhe aconteceu lhe tornou a pessoa que é hoje. Convido também a crescer e amadurecer, se responsabilizando por suas escolhas e por suas não escolhas e, assim recebendo sua Criança Ferida em seus braços, aceitando que você e UNICAMENTE você, pode dar o que ela precisa.

 

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