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A MEMÓRIA EMOCIONAL DA COMIDA.

A memória emocional que nossos hábitos alimentares guardam. Será por isso que é tão difícil mudá-los?

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Apareceu um friozinho com o vento sul que acomete Florianópolis hoje e ao me sentar à mesa do café da manhã diante da minha saudável tapioca recheada com capponata de beringela, um belo suco de manga e abacaxi, deliciosamente misturados com água de coco – di-rei-ti-nho como pede minha dieta vegana, com intolerância ao glúten – e tudo o que eu queria era café-com-leite quentinho e pão-da-mãe-bem-branco com manteiga.  Você está rindo, mas é isso mesmo – comida está ligada diretamente à memória emocional que ela nos evoca. Calor, acolhimento, familiaridade, pertencimento.

Será por isso que comemos demais quando estamos tristes ou ansiosos?

Fiquei pensando nisso, porque afinal são quatro horas da tarde e eu continuo salivando – e resistindo – àquele café-com-leite-e-pão-com-manteiga.

Tenho acompanhado este movimento mundial que mostra o crescimento do Vegetarianismo (não comer nenhum tipo de carne ou derivados), do Veganismo (não comer ou usar nenhum produto de origem animal), a “Segunda Feira sem carne”, a preocupação com ingerir produtos orgânicos e evitar grãos transgênicos. É uma grande discussão planetária que tem um bom motivo – estamos preocupados com o que estamos fazendo com a nossa saúde e com a saúde do planeta. Doenças como câncer e Alzheimer começam a ter pesquisas sérias que ligam sua enorme incidência aos produtos e químicos presentes na comida e no meio ambiente. Outras pesquisas recentes mostram que os animais têm consciência e sentimentos, como os humanos e, portanto, sofrem, têm medo. E outras ainda que contam que na atual conjuntura de um futuro de água escassa, não poderemos nos dar ao luxo de produzir esta quantidade de animais de corte, que gasta um gigantismo de água e consome um gigantismo de grãos (que acaba fazendo necessário as sementes geneticamente modificadas e mais e mais desmatamento para plantar).

Enfim, estamos saindo do umbigo, do mundinho particular e neste mundo de informações amplamente compartilhadas pelos meios mais democráticos associados à internet, estamos preocupados com o Futuro.

Comer carne e derivados animais, a ciência já provou, não é necessário à nossa saúde. Há divergências, mas, de modo geral, é um consenso que sim – como uma espécie onívara – podemos ter fonte de nutrientes em quase tudo o que a terra dá.

Mas, você vai me dizer, e o churrasco de domingo? E o tortéi da Nonna com frango caipira ao sugo, fervido por horas até soltar dos ossinhos? E o caldo de peixe com pirão d’água?

Você de fato está me perguntando:

– E A MEMÓRIA EMOCIONAL DA COMIDA, O QUE EU FAÇO COM ISSO?

Mas daí fico pensando: qual será a memória emocional dos filhos e netos destes vegetarianos e veganos que estão pipocando pelo mundo? Será uma memória vegana e vegetariana, com certeza. Vão salivar diante de cenouras e tomates, desejando um almoço de domingo de pratos cuidadosamente elaborados, coloridos e “sem bicho”. Porque comida nutre diferentes fomes: fome de amor, fome de atenção, fome de pertencimento. Comida é cultural e emocional, sem dúvida nenhuma.

Então, cada um escolhe comer o que quiser e como sua consciência mandar: tratando apenas de ter disciplina com aquilo que lhe faz mal e “atando” sua necessidade de afeto em outros prazeres que não a comida, para evitar ganhar quilinhos indesejados e doenças inesperadas.

Por isso estou aqui firme, tomando meu chá de camomila com canela em rama…(sim, sim, e pensando loucamente naquele café com leite!).

 

 

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